No último dia 9 de dezembro a Fazenda San Francisco realizou seu 16º Dia de Campo, recebendo mais de 100 inscritos para dividir experiências e compartilhar aprendizados, na região de Miranda (MS). O proprietário da fazenda e presidente da Associação de Produtores de Arroz e Irrigantes de Mato Grosso do Sul (APAI/MS), Roberto Coelho, fez a abertura do evento destacando que, pela primeira vez em 26 anos, apresentaria além da plantação de arroz, a lavoura de soja.
O chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Lamas, caracterizou os produtores da região como empreendedores e destacou que a região tem grande potencial. “Todos devem buscar aprimorar seus conhecimentos para que a agropecuária seja uma atividade de riscos minimizados”, destacou Lamas, lembrando que o conhecimento é um insumo tão importante quanto a terra, o capital e o trabalho.
As visitas às plantações possibilitaram aos participantes conhecer o cultivo de arroz irrigado, e também de soja, sendo este o mais novo investimento da fazenda. O engenheiro agrônomo da Fazenda San Francisco, Darci Azambuja, relatou que estão sendo utilizadas cinco variedades de arroz e sete de soja. “Como é a nossa primeira safra de soja, vamos analisar os resultados em produtividade e alagamentos para evitar prejuízos, já que a região é de clima chuvoso”, explica o agrônomo.
O produtor de arroz e soja, Rogério Comin, lembrou-se da importância de participar de reuniões como os dias de campo. “Eu sempre participo porque além das informações técnicas, podemos trocar experiências com outros produtores”, afirma Comin, que trabalha com arroz há 18 anos.
Gláucio Thiago Moraes, produtor há mais de quatro anos, comparou os mercados de arroz e soja. “O mercado de soja é muito mais dinâmico. Por ser uma commodity, sempre há demanda. O mercado do arroz é mais difícil porque a classificação por tipo deixa o mercado mais limitado”. Moraes também destacou que as condições climáticas da região exigem maior atenção porque a temperatura varia bastante.
Azambuja relatou que a produtividade da safra 2011-2012 de arroz registrou um crescimento de 18% em relação ao ano passado, devido à substituição de uma variedade, a condições climáticas mais favoráveis e redução do nível de precipitações dos meses de outubro e novembro. Quanto à soja, o engenheiro agrônomo informou que o plantio foi favorecido na fase de emergência e desenvolvimento inicial também pela diminuição no nível de precipitações.
Após as visitas às lavouras, Rodrigo Arroyo, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, apresentou sua palestra sobre a “Perspectiva da Cultura da Soja no Vale do Rio Miranda”. Arroyo exibiu dados da produção de soja no MS, custos de produção e manejo, listou os prós e contras da sucessão soja-milho e esclareceu sobre as consequências que o clima da região pode acarretar à produção do grão.
Participaram do evento pesquisadores da equipe do chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Lamas, pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, o presidente da Associação dos Produtores do Vale do Rio Miranda, Fernando Belo, e Carmélio Ross, presidente da Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do MS.
Por Stephanie Ribas

